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A Gênese da Recuperação

Escrito por Marcelo Ecker

É muito dificil escrever de forma racional sobre o time que se ama. Em cada linha e em cada conectivo você cai na tentação de colocar o seu amor acima de tudo e peca por imprecisões, generalismos e opiniões enviesadas. Esse post luta para que isso não aconteça. Vamos analisar como aconteceu a recuperação do Internacional, como o time saiu de uma segunda divisão para empatar com a maior sequência de jogos sem perder de sua história nos pontos corridos. Hoje, apesar de tudo, podemos dizer com convicção que o Inter está de volta. E vai dar a alma para lutar por mais.

Tudo começou em um novembro insólito, que teve gosto de guarda-chuva para o torcedor que veste vermelho. O final de ano foi conturbado lá pelos lados do Beira-Rio. Já não bastava a pressão pela vitória gremista na Libertadores da América, deixando o Inter para trás no número de títulos (pelo menos por enquanto), o Inter vacilava em jogos importantes e deixou escapar pelos dedos um título que todos consideravam praticamente garantido: o da série B. Nas últimas rodadas o Inter colecionou más-atuações e o time não rendia em campo, até que depois de uma derrota para o Ceará em casa, o técnico Guto Ferreira (que possui o melhor apelido do futebol mundial – Gordiola) foi demitido do comando vermelho. Odair Hellmann assumiu como tampão, enquanto a diretoria procurava no mercado uma opção mais experiente para assumir o comandante do elenco. Dizer que desde o início Odair era escolhido é besteira. Odair era apenas uma situação de emergência para tentar reverter o prejuízo na série B. O mercado estava cruel. Não havia unanimidades disponíveis, e após uma negativa do Abel (que não rompe contratos), o Inter acabou efetivando Odair.

E depois disso começou o verdadeiro trabalho de formiguinha. Uma limpeza no elenco aconteceu. Mais de 20 atletas foram cedidos seja por empréstimo ou em definitivo. Problemas antigos como o Anderson, Seijas, Fernando Bob, Paulão e Ernando foram resolvidos. Alguns foram emprestados, outros chegaram a um acordo e tiveram o contrato rescindido. O Inter ganhava fôlego financeiro para buscar por boas peças e por reforços pontuais.

De positivo da série B podemos destacar apenas a espinha base do time que estava formada, como Danilo Fernandes no gol, Cuesta na zaga, Dourado na volância e Dale na armação, acompanhado por um ataque esforçado com Pottker pelos lados e o abridor de espaços Leandro Damião. Com  boas contratações o time ganhou um novo oxigênio. Chegaram Patrick (que deu outro ritmo para o meio-campo colorado), Gabriel Dias, Rossi, Lucca e Zeca. Aliados ao retorno de Nico López ao time titular, jogando agora ora em uma posição mais recuada no meio do campo ora apoiando com uma espécie de atacante de flanco, o Inter começou a construir uma série de boas opções para variar sua forma de jogar. Rodrigo Moledo, em mais de seus retornos da Grécia, recuperou sua forma física e formou junto com Cuesta uma dupla de zaga sólida, setor em que o Inter sofria há anos, com os tenebrosos Alan Costa e Paulão fazendo dupla com o burocrático Ernando. Iago na lateral esquerda foi um achado e aproveitar ele no elenco principal, revela um caminho para o Inter olhar mais para a base e corrigir esse antigo problema de transição entre a base e o time principal, que nos fez perder jogadores como Lucas Lima e Ricardo Goulart.

Se as eliminações no Gauchão para o Grêmio (em jogos que poderiam ter dado a classificação para o Inter) e para o VItória na Copa do Brasil nos ligaram o sinal de alerta, deixar o comando e dar tempo para Odair trabalhar na espinha dorsal do time foi vital para o início do Inter nesse campeonato Brasileiro. Está sendo muito melhor do que o torcedor colorado esperava, mas não é necessariamente uma surpresa. Odair está dando o sangue e vem por enquanto fazendo um excelente trabalho. O Inter está voltando. E a polícia do clubismo que me perdoe, para nunca mais ir embora.

Sobre o Autor

Marcelo Ecker

Escritor de auto-biografias profissional. Não gosto de falar sobre mim mesmo. Apaixonado por futebol, cerveja, livros e por alguma sacanagem.